Mas, muito antes de J. K. Rowling, outra escritora inglesa foi genial ao contar uma ótima história de fantasia: Philippa Pearce. Tom e o Jardim da Meia-Noite, sua obra mais famosa, já foi adaptada para cinema, teatro e televisão.
A história conta as aventuras do menino Tom Long, que é enviado pelos pais à casa de seus tios no começo de suas férias de verão. A viagem o deixa arrasado, pois não terá a companhia de seu irmão Peter, que contraiu sarampo, e muito menos do jardim da casa em que vive.
Seus tios moram em um antigo casarão vitoriano que foi dividido em pequenos apartamentos e que tem como proprietária a idosa e reclusa Sra. Bartholomew. No imenso hall encontra-se o único objeto que resistiu às mudanças do tempo, um enorme relógio de pendulo que nunca bate o número certo das horas.
Tom se sente solitário e infeliz sem o irmão e o jardim para brincar. O tédio rouba-lhe o sono jogando dia após dia em uma terrível insônia. Todavia, em uma das noites insones tudo muda para ele. O relógio, em uma certa madrugada bate 13 vezes, o que o deixa curioso. Furtivamente, abandona o apartamento dos tios indo ao hall observar de perto o que considera ser um estranho fenômeno. Ao abrir a velha porta dos fundos para deixar a luz do luar entrar, depara-se com o mais belo e convidativo jardim que já vira em toda a sua vida. Mentalmente promete a si mesmo explorar o local no dia seguinte, mas no momento deseja mesmo é desvendar o mistério das 13 badaladas. Ao voltar ao centro do hall, espanta-se com algo fantástico. Todo o ambiente ao seu redor está mudado como se de repente tivesse voltado no tempo. Tudo é muito rápido e em poucos minutos vê boquiaberto o cenário sumir, retornando ao que era. Perplexo, retorna a cama mais intrigado do que nunca. Na manhã seguinte o espanto é maior, o lindo jardim da noite anterior não está lá, simplesmente não existe.
Há dois temas centrais em Tom e o Jardim da Meia-Noite: o conceito de espaço-tempo e projeção mental. Se por um lado a realidade é simultaneamente o passado e o presente – e isso é melhor caracterizado na amizade de Tom com a menina Hatty a única que consegue ver e interagir com ele – por outro, a surpreendente revelação da idosa senhora Bartholomew ao final da história, remete a grande dúvida que ronda a amizade de Tom e Hatty: Seria um dos dois um fantasma? Se sim, qual deles?
O Jardim da Meia-Noite é uma história fascinante e envolvente, que prova que uma boa história de fantasia pode muito bem ser contada sem precisar de bruxos, vampiros ou semideuses. Basta ter literalmente, imaginação.
11:20
Dolphin
Posted in: 


0 comentários:
Postar um comentário