segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Diário Cinematográfico – Crossroads – A Encruzilhada

crossroads-originalUm sonho, um pacto com o diabo e muito Blues. Esse é o ponto de partida para o charmoso Crossroads – A Encruzilhada.

Assisti a primeira vez esse filme há muito tempo atrás no velho formato VHS e desde então desejava muito rever. Em um primeiro momento a sinopse na contra capa do DVD não empolga. Tirando o nome de Ralph Macchio – que fazem questão de dizer que é o guri de Karatê Kid – o restante do diminuto texto é muito meia boca para quem não conhece nada de Blues. Não foi por acaso que o filme não teve muita expressividade por aqui.

Eugene Martone é um jovem talentoso que estuda música clássica em uma renomada instituição, a Juilliard School, em Nova York. Obcecado pelo Blues – chega ao ponto de repaginar Beethoven, o que deixa seu professor indignado – não se conforma de não poder expressar seu talento no estilo de música que tanto gosta.

Ao pesquisar a vida da lenda do Blues, Robert Johnson, obtém a informação da existência de uma suposta música que deveria ter sido gravada, o que não teria ocorrido, devido à prematura morte do artista. Decidido a encontra-la para ser o passaporte para o seu próprio sucesso, Eugene vai atrás da única pessoa que conviveu com Johnson e ainda está vivo, o gaitista Willie Brown.

Brown, interpretado por Joe Seneca, é um octogenário sagaz que mora em um asilo e que vê no sonho ambicioso de Eugene a oportunidade de resgatar parte do passado perdido. Convencendo o rapaz a ajuda-lo fugir, juntos viajam em direção à famosa região do Delta do Mississippi, berço do Blues.

Provavelmente você leitor, deve estar se perguntando onde entra o pacto com o diabo que citei no primeiro parágrafo. Explicando.

Robert Johnson foi um músico extremamente talentoso. É até hoje considerado a maior referência do Delta Blues, influenciando gerações inteiras que vieram depois, como as bandas Led Zeppelin e Rolling Stones.

Reza a lenda que Johnson fez um pacto com o diabo, seria essa a fonte verdadeira do seu excepcional talento. Isso teria ocorrido na encruzilhada formada pela Route 61 com a Highway 49, na cidade de Clarkdale, Mississipi.

vlcsnap-2010-01-14-12h45m29s186No filme, Willie Brown é atormentado pelo passado onde teria feito exatamente a mesma coisa por influência de Johnson. É o desejo de retornar a lendária encruzilhada para desfazer o “negócio”, que o estimula a cair na estrada com Eugene.

Interessante notar que nos flashbacks de Brown, tanto ele quanto Johnson aguardam bem no meio da deserta encruzilha, por Legba.

Não encontrei referências que esclarecesse se a escolha do nome Legba foi fruto de pesquisa sobre a lenda em torno de Robert Johnson ou se foi mera “casualidade”. A questão é que Legba é uma deidade da cultura africana e que tanto aqui quanto nos EUA foi sincretizada com o diabo cristão. Nós conhecemos Legba como Exú, deidade das religiões de matriz africana.

Entre o amadurecimento de Eugene e o resgate do passado de Brown, Crossroads nos presenteia com uma trilha sonora magnífica que ficou aos cuidados do guitarrista Ry Cooder.

Por sinal, na disputa de guitarras no final do filme entre Eugene e o demoníaco Jack Butler, interpretado por ninguém menos do que Steve Vai, tem Ry Cooder dublando Ralph Macchio. É de arrepiar!

ralph macchio e steve vaiA surpresa fica por conta de um Ralph Macchio sem o tom choroso a là Daniel-san. Ao contrário, o ator apresenta um nível de maturidade profissional que merece elogios. Pena que sua carreira ficou limitada a famosa trilogia.

Crossroads – A Encruzilhada, é um filme que certamente agrada a todos os gostos.

Nota: No IMDB, há algumas interessantes curiosidades sobre o filme. Vale a pena a leitura após assisti-lo.

3 comentários:

Alair disse...

Um Ótimo filme, uns dos melhores filmes que trata sobre música, se não o melhor! E não digo isso por ser mega fã de Steve Vai, rs!

Cristine Martin disse...

Oi Dolphin!

Vi alguns trechos desse filme na TV, mas não o assisti inteiro. Vou ficar de olho nas reprises, é uma boa sugestão.

Beijos, e parabéns por mais uma ótima resenha! :-)

Richard disse...

Ainda não assisti, mas já coloquei na lista.

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